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5 provas de Trail desafiadoras para fazer pelo mundo

  • butinadatrail
  • há 7 dias
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Vulcões adormecidos, picos cobertos de neve, selvas, rios gelados, escorpiões, cobras, gatos selvagens, sede, dor e medo são apenas alguns dos desafios que enfrentam os atletas de trail running nas paisagens mais inóspitas do mundo.



1. Jungle Marathon (Brasil)


Close-up view of a serene nature scene with a calm lake
Participantes na Jungle Marathon no Brasil. Foto: Mikkel Beisner / Jungle Marathon

A Jungle Marathon decorre na densa floresta tropical do Brasil – habitat de anacondas, jaguares e escorpiões. Na realidade, assemelha-se mais a treino de sobrevivência e é largamente considerada a prova de trail mais perigosa do mundo. Os atletas percorrem mais de 260 quilómetros em seis etapas através da floresta amazónica – atravessando vegetação quase impenetrável, onde o perigo se pode esconder atrás de cada árvore. Passam uma semana a lutar para atravessar pântanos, rios e a suportar temperaturas até 45ºC com humidade extrema, tudo enquanto carregam as provisões e o equipamento necessários para sete dias. A única coisa fornecida nos pequenos postos de controlo é água, e os atletas bebem até doze litros por dia. A prova é tão exigente que apenas alguns chegam à meta. Ainda assim, a organização já está a preparar um desafio ainda mais difícil chamado Fuga da Selva, que será lançado em 2020. É descrito da seguinte forma: “Após seis dias de treino de sobrevivência intenso no meio da selva, liderado pelos nossos instrutores das forças especiais, serão largados na selva profunda na escuridão com um mapa, uma bússola e um kit obrigatório, e terão seis dias para chegar à meta, fazendo uso das vossas capacidades, velocidade e navegação.” Durante o percurso, os participantes terão de encontrar água e comida, e de construir o seu próprio abrigo para passarem a noite. E a organização já está a receber as primeiras inscrições...



2. Tor des Géants (Itália)


Close-up view of a serene nature scene with a calm lake
Tor des Géants nos Alpes Italianos... Foto: Giacomo Buzio

Tor des Géants é a prova de trail ininterrupta mais longa do mundo. Os atletas têm 150 horas para percorrer 330 quilómetros, atravessar 25 portelas de montanha e conquistar uma altimetria de 24.000 metros. Ao contrário de outras provas, a organização não estipula etapas obrigatórias. A única regra é concluir a prova em 150 horas. Assim, em teoria, os atletas poderiam percorrer a distância toda de uma só vez sem parar. Na prática, a maioria corre durante o primeiro dia e noite sem pregar olho. E mesmo depois, a maioria dos atletas só dorme algumas horas em uma das sete bases de vida, onde também podem comer alguma coisa. O vencedor da edição de 2017, Javi Dominguez, dormiu apenas um total de 35 minutos e estabeleceu um recorde com o seu tempo de 67 horas, 52 minutos e 15 segundos. “Quando atravessei a meta, detestei a prova”, diz Dominguez. “Mas alguns dias depois mudei de ideias e apercebi-me de que tinha sido uma experiência verdadeiramente maravilhosa.” A Tor des Géants não é apenas uma das provas de trail mais difíceis do mundo, mas é também uma das mais bonitas. Atravessa o Vale de Aosta em Itália, com início e fim no pequeno resort de Courmayeur no coração dos Alpes Italianos. A partir daí, os atletas correm à sombra das montanhas mais altas dos Alpes – Mont Blanc, Gran Paradiso, Monte Rosa e Matterhorn – e através do parque natural de Mont Avic. O percurso segue por trilhos de terra estreitos e encostas de cascalho, pastos alpinos verdejantes e glaciares cobertos de neve.



3. Hardrock Endurance Run (EUA)


Close-up view of a serene nature scene with a calm lake
Hardrock 100. Foto: Hardrock 100

A Hardrock Endurance Run realizou-se pela primeira vez em 1992 e é considerada uma das provas de trail mais difíceis da América do Norte. Foi originariamente criada para homenagear as pessoas que trabalhavam nestas montanhas despidas e remotas e que arriscavam a sua vida diariamente nas minas. A determinada altura, deixou de haver mineração na região e para trás ficaram vilas abandonadas – e a Endurance Run. A prova ainda passa por vilas fantasma, como Sherman no Colorado. No percurso através das montanhas de San Juan e uma parte das montanhas Rochosas, os atletas têm de conquistar uma altimetria de 10.000 metros e atravessar 13 portelas de montanha. O percurso é tão remoto que muitos dos postos de apoio só são acessíveis a pé e os voluntários que dão apoio têm de fazer várias viagens para colocar as provisões à disposição dos atletas. Além disso, as condições meteorológicas podem ser imprevisíveis e a prova já teve de ser cancelada duas vezes devido ao mau tempo. Uma vez, o percurso ficou obstruído pela forte queda de neve e, noutra ocasião, uma onda de calor extremo provocou um incêndio florestal extenso. A prova muda de direção todos os anos.



4. La Ultra 333 (Himalaias Indianos)


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O maior desafio para os atletas que enfrentam “The High” nos Himalaias é a doença de altitude. Foto: La Ultra 333

La Ultra 333 tem um lema: “Falhar não é crime, falta de esforço é.” Conhecida como “The High”, a prova faz jus ao seu epíteto: O percurso de 333 quilómetros atravessa os Himalaias, a cadeia montanhosa mais alta do mundo, onde, obviamente, se encontra o Monte Everest. Os participantes têm 72 horas para chegar à meta, depois de atravessarem bem-sucedidamente não uma, nem duas, mas três portelas a 5.000 metros. O percurso pode ser perigoso. O segundo posto de controlo já se encontra 4.700 metros acima do nível do mar. A falta de oxigénio é um problema a esta altitude e muitos atletas sofrem de doença de altitude, sendo obrigados a desistir antes de chegarem à primeira das três portelas. É por esta razão que a organização recomenda que os atletas cheguem ao acampamento base duas semanas antes para se habituarem. Além disso, as condições meteorológicas são extremas. Ladakh, onde se realiza a prova, é uma das regiões mais secas do planeta – um deserto a elevada altitude no norte da Índia, aproximadamente do tamanho da Escócia. Depois de os atletas atravessarem a primeira portela, Khardung La, a cerca de 5.400 metros, correm com temperaturas abrasadoras de 40ºC em direção à segunda portela, Wari La, a 5.300 metros. Aqui as temperaturas podem chegar a -10ºC, ou pior, no espaço de algumas horas. Taglang La, a última portela, está a 5.350 metros. Desde que o percurso passou a ter 333 quilómetros, em 2014, só 16 atletas conseguiram concluir a prova. Em 2016, não um, mas dois participantes bateram um recorde: Jovica Spajić da Sérvia e Grant Maughan da Austrália atravessaram a meta juntos ao fim de 60 horas, 37 minutos e 58 segundos.



5. Dragon's Back Race (País de Gales)


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Dragon's Back Race. Foto: Ian Corless / Berghaus Dragon’s Back Race

Foi o escritor britânico John Gillham que se apercebeu de que os penhascos e os cumes rochosos das montanhas de Glyderau no País de Gales pareciam a espinha sinuosa de um dragão gigante, ao longo de toda a extensão do país de norte a sul. E foram as descrições de Gillham que inspiraram o atleta Ian Waddell a criar a prova Dragon’s Back Race. Aqui, os atletas enfrentam cumes acidentados, atravessam vales pantanosos e conquistam uma altimetria de 16.000 metros ao longo de uma distância de 300 quilómetros em algumas das paisagens mais selvagens do País de Gales. Durante cinco dias, percorrem a estreita espinha do dragão, que está frequentemente envolta num nevoeiro tão denso que não conseguem ver um palmo à frente do nariz. Além disso, o percurso inclui descidas em encostas íngremes de cascalho e a travessia de rios gelados. A primeira prova foi realizada em 1992 – e durante bastante tempo parecia que seria também a última. A prova ao longo das costas do dragão era considerada demasiado perigosa e só foi repetida 20 anos mais tarde. Agora a Dragon's Back Race está de volta e é uma prova regular.



E aí? Encararia alguma delas?

 
 
 

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